Jardim

 

A Criança de Primeiro Setênio

Por Rosa Crepaldi, professora do maternal na escola Waldorf Francisco de Assis de 1992 a 2016

 

“Não é possível reparar mais tarde o que o educador negligenciou fazer durante o Primeiro Setênio”

 Rudolf Steiner

 

A criança pequena é inteiramente força de vontade e seu primeiro ato de coragem é vir ao mundo.

Este mundo deveria ser descortinado aos poucos, com muita responsabilidade, respeito, sabedoria, pois a criança se entrega a ele com confiança ilimitada.

A adaptação ao mundo durante os três primeiros anos de vida é base de todo seu desenvolvimento posterior, pois é neste momento que ocorre as três principais conquistas do ser humano: o andar, o falar e o pensar.  Este aprendizado é o fundamento de toda existência humana e que só podem ser aprendidas em contato com outros seres humanos.

Após esta tarefa estar parcialmente cumprida, aparece o primeiro momento da consciência em que a criança se percebe como individualidade própria, usando a palavra EU.

 

“Nos primeiros três anos de vida aprende-se mais do que em todos os seus estudos acadêmicos”

Jean Paul F. Richter

 

Neste primeiro setênio o organismo está em plena formação. Todos os órgãos precisam de energias vitais para que se formem completamente saudáveis.  E a criança emprega todas as suas energias para o desenvolvimento de seu físico.

Até os sete anos as crianças são “esponjas”, captando tudo que está ao seu redor. Absorvem sentimentos e pensamentos, são imitadores precisando, portanto, de bons exemplos, ambiente seguro e caloroso, ritmo, entusiasmo. Para ela o mundo é bom e a infância acontece.

É por experimentação que a criança aprende, por tentativa e erro e pelo princípio da imitação.

A imitação é a grande força que a criança de primeiro setênio tem disponível para a aprendizagem, inclusive a do falar, a do fazer, do adequado ou impróprio no comportamento humano.

Atualmente a criança precisa ir cada vez mais cedo para a escola e a Educação Waldorf procura recriar o ambiente caloroso do lar, um espaço adequado para o convívio social e dar a cada criança o seu tempo necessário de desenvolvimento. Ela necessita de tempo e suas habilidades devem amadurecer de maneira duradoura.

O Jardim de Infância não é uma sala de espera, onde nada ocorre e só se mata o tempo, é um local efetivo de aprendizado. Não o aprendizado intelectual, pois retira as forças vitais que são necessárias para a formação do organismo humano e sim o aprendizado para a vida.

As vivências são feitas em ritmo orgânico (contração e expansão) repetidos diariamente, para trazer segurança e desenvolver hábitos saudáveis.

O brincar é de extrema importância. Nele a criança vai adquirindo experiências e vivencias com as quais vai aprendendo a se situar e se comportar humanamente em seu meio ambiente. Ele é tão importante e sério como o trabalho é para o adulto.

Se o adulto apóia essa força de vontade, dando espaço para a criança brincar sadiamente, quando ela se tornar adulta também terá vontade de agir e transformar o mundo. O brincar da criança oferece ainda a oportunidade dela desenvolver a fantasia e a imaginação, importantes precursores do pensar racional.

O brincar livre, parques, tanques de areia, terra, água, materiais naturais, fazem parte deste desenvolvimento sadio da infância, ao invés de TV, jogos eletrônicos, brinquedos prontos que não dão a oportunidade para a criança desenvolver sua fantasia e imaginação, ao contrário a sobrecarregam de informações desnecessárias e impróprias para a idade.

Nesta fase a criança emprega todas as suas energias para o desenvolvimento de seu físico e manifesta toda sua volição através de intensa atividade corporal.

Respeito ao próximo, cuidar do ambiente, o fazer (pão, comida, limpeza, costura, desenho, pintura, tricô), a gratidão, os contos de fada, a música, as festas anuais, fazem parte do ritmo e aprendizado vivenciados na Pedagogia Waldorf e contribui profundamente para o desenvolvimento completo de um ser humano livre e aberto para a vida.

 

 

Se quiser saber mais, consulte:

Os Primeiros Anos da Infância – Rudolf Steiner

A Pedagogia Waldorf – Rudolf Lanz

As Cirandas de Ontem e de Hoje – D.Udo de Haes

Os Três Primeiros Anos da Criança – Karl Konig

Criança Brincando! Quem a educa – Luiza H.T. Lameirão

Os Primeiros Sete Anos – Edmond Shoorel

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