Trabalhos Manuais na escola

 

A arte do fazer com as mãos está presente nas tradições mais antigas, que de maneira geral buscavam realizar estas atividades coletivamente, elaborando instrumentos e tecendo saberes que se tornaram consolidados pela cultura humana. Os objetos que confeccionamos carregam em si os resultados das diferentes subjetividades dos seus criadores e as marcas dos seus contextos históricos.
A maior distinção anatômica da espécie permitiu um grande desenvolvimento do uso das mãos. Equipadas com uma série sensores de temperatura e pressão, permitem que identifiquemos variadas temperaturas, texturas, pesos e formas. Assim como nossa visão, nossas mãos colaboram para a percepção do mundo e orientação espacial.
As mãos desenham o pensar. Segundo Steiner “pensar é tecer cósmico”. O trabalho com as manualidades facilita o desenrolar do processo de assimilação do aprendizado, a organização do pensar, o domínio corporal sobre as experiências e a capacidade imaginativa dos seres humanos.
Todavia, a produção industrial aliada à acomodação do cotidiano onde tudo está pronto, onde tudo se compra e o uso das máquinas se sobrepõe ao uso das mãos, permite-nos observar e transparecer bem pouco as individualidades dos seus criadores, promovendo uma separação entre o homem, seu valor, suas capacidades e sua relação com o mundo.
Para Steiner o cérebro ‘não vive dentro da cabeça’, mas se estende por todo o corpo e com o corpo alcança o mundo. Mãos e cérebro estão intrinsecamente ligados ao desenvolvimento humano, portanto embotar os movimentos é riscar uma etapa de desenvolvimento do ser.
O uso excessivo de eletrônicos, principalmente desde a tenra idade, representa um grande desafio para a elaboração saudável das capacidades cognitivas, motoras e emocionais dos indivíduos. A maioria destes aparelhos demanda suaves toques e gestos, reduzindo o leque de movimentos que as mãos podem realizar.
Nas aulas de Trabalhos Manuais, os estudantes são convidados a confeccionar, do início ao fim, objetos que tenham utilidade e beleza, vivenciando as cores, padrões e formas. Entram em contato, do 1º ao 11º ano, com tricô, crochê, bordado, costura, tapeçaria, macramê, entre outras técnicas manuais, que buscam colaborar para o desenvolvimento do educando em cada etapa de sua vida escolar. Acerca das manualidades, Steiner afirma que “as mãos são os olhos do sistema rítmico”. As propostas nas aulas de Trabalhos Manuais caracterizam-se por atividades equilibradoras do pensar e do fazer e promovem o fortalecimento do querer e do pensar lógico, que são equilibrados pelo lapidar das emoções.

Clarissa de Assis Angelo,
professora de Trabalhos Manuais do 1º ao 11º ano

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